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Você é “Sangüíneo”? Tem personalidade “tipo A”? É “Castor”? Ou é cristão?

Uma das esquisitices mais intrigantes que a nossa cultura psicologizada tem impingido sobre nossa cultura cristã é a sua maneira de pensar e explicar as razões pelas quais pessoas fazem o que fazem. Não creio que eles teriam tido muito sucesso em suas opiniões e especulações se a comunidade cristã não estivesse tão cheia de auto deslumbramento.

Paulo nos deu a boa notícia a respeito de quem éramos e o que somos agora, pós-regeneração:

Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas! (2 Coríntios 5.17, NVI).

Estar “em Cristo” significa que a nossa velha maneira de viver e pensar já passou e uma nova maneira de pensar e viver é a nossa alegria e privilégio.

O Evangelho é muito simplista

Eu percebo que, para muitos, Paulo foi excessivamente simplista em sua maneira de olhar as coisas, especialmente a “complexidade” da psicologia. Basicamente, ele disse que a razão pela qual fazemos as coisas que fazemos está fundamentalmente ligada à nossa Queda. Outra maneira de dizer é que somos egoístas e egocêntricos. Não é tão difícil de compreender. A análise mais simplista e superficial dos motivos do meu coração revela esta verdade básica: eu sou egoísta e eu preciso mudar.

Examinar minuciosamente minhas velhas formas de pensar e agir não é uma forma biblicamente justificável ou pessoalmente sensata de gastar o meu tempo.

Assim, eu lhes digo, e no Senhor insisto, que não vivam mais como os gentios, que vivem na futilidade dos seus pensamentos. Eles estão obscurecidos no entendimento e separados da vida de Deus por causa da ignorância em que estão, devido ao endurecimento dos seus corações (Efésios 4.17-18, NVI).

Fascinante Obsessão

Nossa cultura é louca de amores por si mesma. E por causa de sua irremediável queda, eles não têm escolha senão reciclar, regurgitar e re-descrever quem são e por que eles fazem o que fazem. Eles não têm um plano alternativo. Estão perdidos! Estão presos em suas naturezas caídas sem nenhuma esperança de fuga, aparte de Cristo. E porque rejeitam Cristo, eles têm de revolver seu pensamento em mais e mais explicações absurdas da alma.

No entanto, os cristãos não devem ser tão facilmente persuadidos ou fascinados com sua psicologia piegas. O fascínio cristão com esse tipo de psicologia popular é incompreensível para mim. Não dá para contar quantas vezes eu ouvi a expressão “Eu tenho um temperamento…”.

Quando os cristãos dizem isso, eles estão apenas explicando, de uma forma mais higienizada, porque eles fazem o que fazem. O termo é tão geral que não me diz nada sobre a pessoa que eu quero servir. E dizer que você é um colérico ou castor ou tipo A é tão ambíguo e inútil. Os cristãos ficariam horrorizados de pensar que estão, de alguma forma, se justificando por seu comportamento pecaminoso ao abraçar este tipo de filosofia de entendimento da alma humana; mas ao racionalizarem os seus “tipos”, estão, em parte, fazendo exatamente isso.

Muitas vezes o retorno ao uso deste tipo de abordagem da psicologia popular ocorre na seguinte linha :”Eu estou tão feliz que alguém me entenda. Agora eu sei por que eu sou assim”. Você não acha que Deus entende você e que ele nos deu sua Palavra para que possamos entender você também?

Que letra você é?

Há muitos anos havia um homem que me dizia que ele era uma personalidade “tipo A”. Essencialmente, ele estava me dizendo por que ele praticava a arte da criação da maneira como ele faz. E já que ele estava sacando as letras do alfabeto para descrever a si mesmo, eu sugeri que ele escolhesse outras duas. Eu lhe disse: “Por que não experimenta um ‘tipo de personalidade JC?”

Ou ele não conseguiu entender o que eu estava dizendo, ou ele não quis mudar seu comportamento. Já faz 13 anos desde o nosso encontro e ele ainda é predominantemente do tipo A, em vez de JC.

Eu acredito que há dois motivos principais pelos quais as pessoas compram uma rotulagem da personalidade humana da psicologia popular que não faz nenhum sentido:

1. Nós, como a nossa cultura, geralmente somos egocêntricos e gostamos muito de pensar em nós mesmos. Nossos signos do zodíaco, temperamentos, e outras formas de analisar nossas personalidades nos intrigam. Enquanto alguns chamam de um avanço na compreensão da alma, é realmente uma distração do ensino da Escritura.

2. Nós somos analfabetos, em diferentes graus, no que se refere à teologia e à aplicação da teologia em nossas vidas. Nós simplesmente não entendemos as categorias bíblicas que descrevem a condição humana, o que nos impede de compreender a condição humana de uma perspectiva bíblica.

(Ressalva: eu sei, especialmente quanto à contratação profissional, que certos tipos de testes psicológicos podem ser valiosos para um empregador ter um pouco de idéia de quem está contratando. Fora isso, é apenas uma maneira cativante de falar mais sobre si mesmo.)

Perguntas para reflexão

1. O quanto você consegue descrever o seu pecado com categorias bíblicas?

2. Quando você percebe as razões bíblicas para o seu pecado, como o arrependimento funciona em sua vida?

3. Você passa mais tempo olhando para trás, para quem você era antes de Cristo salvá-lo, ou olhando para frente, para quem você é agora que você está em Cristo?

4. Como o viver no bem diário do Evangelho contribui para a sua progressiva transformação na semelhança de Cristo?

5. No seu melhor dia, você se vê como estando “em Cristo”?

6. No seu pior dia, você se vê como estando “em Cristo”?

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