Fé nos medicamentos (parte 2)

Na primeira parte deste post eu falei sobre minha amiga Melanie, que veio a mim para aconselhamento. Ela estava usando medicação, mas isto não era seu problema real. A medicação era a solução de Melanie para seu problema real.

A forma como eu aconselhei Melanie 10 anos atrás é a minha abordagem padrão para qualquer aconselhamento sobre medicamentos. Em outros posts detalharei melhor minha compreensão de aconselhamento bíblico e medicação.

O resto da história de Melanie

Ficou claro para mim que a fé de Melanie estava indissoluvelmente ligada ao seu uso de medicação. Ela interpretou o questionamento sobre medicamentos como uma tentativa de tirá-los. Embora fosse evidente que a sua fé era distorcida, era igualmente óbvio que suas opiniões emotivas sobre remédios sabotariam qualquer conversa sobre os prós e os contras da medicação.

Melanie abraçou o falso continuum. Ela acreditava que se os medicamentos estavam lhe dando o resultado desejado, o diagnóstico de sua psicóloga devia estar correto. Sua crença na medicação importava muito pouco para mim. Sua fé em remédios não era a questão principal e, portanto, tentar mudar sua crença em medicamentos batendo de frente teria sido imprudente.

Depois que ela se acalmou, comecei a perguntar-lhe sobre sua vida, família, amigos, igreja, Deus, história, e muito mais. Enquanto ela falava, comecei a filtrar a sua história através da tela bíblica. Ela falou sobre conflito relacional e disfunção em vários níveis. Ela me contou uma história familiar que foi extremamente dolorosa. Sua relação com Cristo era, na melhor das hipóteses, truncada. Ela também tinha um histórico de relacionamentos amorosos rompidos, desde que era criança. Melanie nunca tinha se casado.

Quanto mais ela falou, mais óbvio se tornou que o coração dela estava cheio de conflitos. Enquanto ela descrevia sua vida esbocei um desenho em forma de coração em uma folha de papel branco e fui inserindo rótulos re-categorizados na imagem em forma de coração.

Quando ela terminou sua história, mostrei a ela como a desordem do seu coração se parecia. Dentro do desenho eu tinha escrito estas palavras: raiva, medo, rancor, inveja, ciúme, frustração, decepção, desânimo, desespero, confusão, conflito, controle e culpa. Desnecessário dizer que seu coração estava cheio de pecado. Felizmente, a Bíblia falou a cada um de seus problemas.

Renovando a Mente

Eu lhe assegurei que meu objetivo não era tirar seus remédios. Meu objetivo era ajudá-la a ser o tipo de pessoa que Deus queria que ela fosse. Ela percebeu naquela espécie de forma visual que estava longe de ser o tipo de pessoa que Deus queria que ela fosse. Ela também viu que os remédios estavam mascarando, não erradicando, seus problemas. Eu lhe contei que gostaria de ver aonde ela iria com os remédios depois que seu coração estivesse limpo.

Ela concordou e ficou encorajada a conhecer o tratamento bíblico à lista de questões que estavam bagunçando seu coração. Perguntei-lhe se ela queria passar algum tempo trabalhando em sua “desordem do coração”. Ela passou a ter confiança neste processo.

Começamos a nos reunir por alguns meses. Ela era humilde, gentil, dócil, animada e sensível ao que eu estava lhe ensinando. Um dia, depois de uns poucos meses de reunião, Melanie disse-me: “Ah, eu me esqueci de lhe contar, mas conversei com minha psicóloga e há algumas semanas começamos um processo de parar os remédios. Já se passaram três semanas desde que parei com todos”.

Continuamos a nos encontrar por algumas semanas mais, e então nos reunimos anualmente pelos dois anos seguintes. Ela nunca voltou aos medicamentos. Seu coração tinha sido renovado.

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