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Fé nos medicamentos (parte 1)

Melanie não conseguia parar de transbordar sobre como estava feliz. Deus era bom e ela estava vivendo uma felicidade permanente. Sua vida de oração era rica. Sua leitura da Bíblia era viva. E as oportunidades de seu ministério eram abundantes. Quanto mais ela falava, mais eu me perguntava por que ela me procurara para aconselhamento. Ela falou sem interrupção por 30 minutos sobre a bondade, grandeza, e benevolência de Deus. Fiquei um pouco perplexo. Parecia que ela seria a primeira aconselhanda a vir a mim por estar feliz demais.

Em algum ponto durante seu monólogo cheio de alegria, ela também mencionou que estava sob medicação. Foi um comentário de passagem, sem elaboração. Como continuou a falar por mais 30 minutos, sua declaração sobre os medicamentos se perdeu em toda sua alegria.

Depois que ela saiu, o conselheiro trainee perguntou-me se eu a ouvira dizer que estava sob medicação. Eu disse que tinha, mas que se perdera no amontoado de conversa feliz. Ambos concordamos que seria bom trazê-la de volta e perguntar-lhe mais sobre os medicamentos. Na semana seguinte, ela veio, e eu fiz a pergunta. Eu disse o seguinte:

“Na semana passada você disse que estava usando medicações. Você pode me contar mais sobre isso?”

O que se seguiu foi impressionante. Sem hesitar, ela começou a chorar e a gritar. Foi exatamente o oposto da emoção que ela demonstrara na semana anterior. Ela chorou, gritou, e acusou por mais 15 minutos. Depois que ela se acalmou, comecei a perguntar por que toda aquela emoção.

Ela interpretara a minha pergunta como uma tentativa de tirar os remédios dela. Em seu pensamento, isso era insustentável. Ela contou que sua avó e sua mãe usavam a mesma medicação. Acreditava no determinismo genético. Embora não haja evidências objetivas para sustentar sua afirmação, ela acreditava que Deus lhe havia dado esses medicamentos porque ela tinha algum tipo de predisposição genética interna que só os medicamentos poderiam corrigir.

E eu era o vilão tentando tirar seus remédios. Honestamente, eu apenas tinha feito uma pergunta. Eu nunca pedi a ninguém para parar de tomar medicamentos, mas ela não sabia disso. Sua fé em seus medicamentos era tão forte que qualquer tipo de sugestão ou implicação – ainda que não fosse o que eu estava dizendo – de que ela estava errada por tomar remédios se tornava uma afronta a ela.

Na sua perspectiva, foi como se a empurrassem para fora de um avião sem pára-quedas. Deus não a estava ajudando a superar seus problemas. O Espírito não a estava capacitando nos e através de seus muitos problemas de santificação. A graça de Deus não estava trabalhando em favor dela. Mas os remédios a sustentavam, e eu era o sádico que queria tirá-los.

Era uma questão de fé para ela. Sua fé em Deus não estava em um Deus que dá a graça, mas num Deus que dá remédios. Ela acreditava que Deus lhe havia dado os medicamentos para ajudá-la. Que eu remotamente sugerisse que ela não deveria estar usando medicações foi o equivalente a arrancar sua fé.

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