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A subjetividade da medicação

O maior problema que tenho com a medicação, no que se refere a ajudar as pessoas, é como a subjetividade é minimizada, diminuída, ou simplesmente não discutida. Aqui estão três maneiras comuns pelas quais o aspecto da subjetividade da medicação é minimizada:

Um homem com uma perna quebrada sabe exatamente por que a perna está quebrada e o que seria necessário para consertá-la. Um diabético sabe o que está faltando e o que ele necessita para ser sustentado em sua doença. Um paciente cego normalmente sabe o que deu errado, bem como a esperança que tem para superar a sua cegueira.

A raridade de provas concretas

Nas três ilustrações acima, você pode medir ou analisar um problema observável, minimizando a subjetividade do processo. No chamado mundo da saúde mental, você não pode fazer isso. Na maioria dos casos um psicólogo fará o que um conselheiro cristão faria, que é escutar a sua história e fazer sugestões com base no que ouviu.

Se um homem quer um sapato, você pode medir seu pé e lhe dar um sapato que se encaixa. No mundo da psicologia, você não é medido e prescrito de forma tão objetiva.

Eu não teria dificuldade com essa abordagem, se a comunidade psicológica não apresentasse os seus métodos como fato científico. Acho que isso é desonestidade intelectual. Por favor, mostre-me o que você mediu e me diga o que está em falta em seu paciente.

A controvérsia de Causa e Efeito

O Médico A diz ao paciente que ele tem falta do produto químico XYZ. Ele explica que essa é a razão pela qual o paciente está sofrendo com depressão, e lhe dá uma pílula ZYX. O paciente agora vai superar sua depressão. O Médico B diz a seu paciente que sua atual fase de depressão é a razão pela qual lhe está faltando XYZ. Ele afirma que a depressão afetou seu cérebro.

A pergunta que tenho é: “O que veio primeiro?”

  • Será que a falta do produto químico causa a depressão?
  • Será que a depressão causa a falta do produto químico?

Muitas pessoas na comunidade psicológica não estão tendo este tipo de conversa humilde. A maioria diz que o paciente tem falta do produto químico tal e tal, e é por isso que está deprimido. Para mim, isto não é tão claro.

Resultados contam, fatos são bobagens

Eu mencionei em outro post que somos, em grande parte, pragmáticos. Ficamos satisfeitos com a facilidade. Nós aceitamos o falso continuum de que se a pílula resolve o meu problema, então a análise do problema deve estar correta.

Muitos jogadores de beisebol durante a era esteróide acreditavam o mesmo. Seus problemas eram no sentido de uma baixa produtividade no home run, ou diminuição das habilidades, ou um desejo de aplausos. Sua conclusão foi tomar esteróides. Eles alcançaram o seu resultado desejado e todo mundo estava feliz.

Somos uma cultura voltada para os resultados e acredito que, no tocante à nossa comunidade louca por medicação, estamos cometendo um grande erro. O fim nem sempre justifica os meios.

Eu não estou dizendo que devemos jogar fora todos os medicamentos, mas digo que precisamos ter uma conversa mais sincera sobre onde medicamentos se enquadram no paradigma de cuidados em geral.

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